O tecido urbano peculiar da Vila Madalena, em São Paulo, define o projeto criado pela Triptyque Arquitetura para o edifício residencial construído na rua Arapiraca, bem no centro do bairro, e concluído em outubro de 2016

Vila Madalena
A integração com o entorno – uma zona de tranquilidade, repleta de casas antigas, e próxima de bares e restaurantes – foi o partido adotado pelos arquitetos do escritório franco-brasileiro, cuja estratégia dilui, com primazia, os oito mil metros quadrados de área construída em uma volumetria que dialoga e respeita o relevo, os edifícios e as casas do entorno.

Para isso, os arquitetos decidiram dividir a construção em oito blocos distribuídos de modo aleatório, cada um deles com acesso independente, mas com angulação que garante as melhores vistas e o máximo aproveitamento da ventilação e iluminação naturais. Um nono bloco abriga os elevadores, shafts e escadas, e concentra a saída de passarelas metálicas por onde se dá a circulação de pessoas e ocorre a sociabilização entre os moradores.

Vila Madalena

O resultado desse partido é a configuração de apartamentos onde a privacidade se iguala à de casas independentes. Com terraços de áreas generosas e amplo pé-direito, as residências têm plantas que variam de studios a triplex, e podem ter diversas configurações de planta. A área comum dos pavimentos superiores, por sua vez, e em especial as passarelas metálicas são banhadas pela luz do sol e pelo vento.

A memória coletiva da Vila Madalena também se faz presente na escolha dos revestimentos, onde predomina o concreto projetado – material rugoso e rústico, quase primitivo – na cor grafite, em uma clara reverência ao chapisco tão utilizado nas antigas construções do bairro.

O referencial histórico também se manifesta na cerâmica, como uma menção aos portugueses, primeiros imigrantes a ocupar a região. Azulejos azuis e brancos, como homenagem ao artista Athos Bulcão, estão distribuídos por todas as fachadas internas. Lisos e refletivos, eles dão vida às fachadas enquanto iluminam o centro do terreno. Camadas de gabião aparente complementam o conjunto e lhe conferem um aspecto brutalista.

A vegetação tem papel de destaque no projeto, tanto nos canteiros verdes que envolvem as passarelas metálicas suspensas quanto no nível térreo, onde a densidade verde cria uma atmosfera de floresta urbana sob o edifício. É como se o prédio brotasse sobre a mata de espécies nativas, que se abrem como uma praça em diálogo com a cidade. Nos dois acessos ao edifício, tal porosidade mistura o limite entre lote e calçadas, criando uma espécie de franja borrada entre público e privado, e revelando a generosidade do projeto como um todo.

“Projetamos o edifício da rua Arapiraca integrado ao entorno, mas, ao mesmo tempo, com uma presença marcante e inovadora”, concluem os arquitetos da Triptyque Arquitetura.

Ficha:
Nome do projeto: POP XYZ.
Local: Vila Madalena, São Paulo, SP.
Início do projeto: 2010.
Conclusão da obra: 2016.
Área do terreno: 1.633 m².
Área construída: 6.532,75m².
Projeto: Triptyque Arquitetura.
Equipe: Carol Bueno, Greg Bousquet, Gui Sibaud, Olivier Raffaelli (sócios); Luiz Trindade (coordenação geral); Beatriz Hipólito (chefe de projeto); Marcella Verardo, Bianca Coelho, Murillo Fantinatti; Isaac Safdie, Daniele Grossman, Paula Megiolaro, Pedro de Mattos, Alfredo Luvison, Michele Panhoni, Renan Bussi, Felipe Alves, André Mathias, Natasha Taylor, Felipe Smith, Paulo Rodrigues, Danilo Vicentini, Manuela Coelho, Beatriz Almeida, André Ribeiro, Andrea Novazzi, Vinicius Capela, Caco Cruz, Carla Gotardelo (colaboradores).
Incorporação: Idea!Zarvos.
Paisagismo: André Paolielo, Rodrigo Oliveira.
Estrutura: Gama Z.
Instalações: Tesis.
Ar condicionado: Willem Sheepmaker & Assoc.
Luminotécnica: Estudio Carlos Fortes.
Impermeabilização: PROASSP.
Levantamento topográfico: Topografia.com.
Fundações: Portella Alarcon.
Elevadores: Atlas.
Construção:  Lock Engenharia.
Fotos: Ricardo Bassetti

Serviço:
Triptyque Arquitetura
11 3081-3565
www.triptyque.com

 

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