Novo projeto transforma o Teatro do Colégio Miguel de Cervantes, em SP, em um pólo cultural

Cervantes

Inserido num ambicioso projeto de ampliação do Colégio Miguel de Cervantes, que ocupa uma área total de 60.000 m², em São Paulo, o teatro de uma das melhores e mais  tradicionais instituições de ensino da cidade, foi a primeira etapa a ser concluída.

O desafio foi transformar um simples auditório de uma escola em um teatro com estrutura para atender as atuais necessidades pedagógicas e também atividades extracurriculares, como eventos, palestras, formaturas e apresentações de espetáculos de dança flamenca, uma expressão de arte ligada à cultura espanhola, que é um dos valores principais da instituição. A equipe da acr arquitetura projetou um espaço cultural multiuso, no centro do colégio, integrado ao dia a dia dos alunos e com facilidade de acesso também para os visitantes.

O teatro do Miguel de Cervantes está interligado às de salas de aulas por meio de uma ampla passagem coberta e tinha uma área limitada, que exigiu soluções arrojadas de projeto para gerar visibilidade e criar um espaço adequado para reunir pessoas antes e após uma apresentação ou espetáculo. A proposta foi ampliar a área de intervenção para a marquise e também elevar o teto, para se criar uma atmosfera mais agradável, quando se reunisse um grande número de pessoas.

O teatro ganhou maior visibilidade, numa área de passagem dos alunos, e foi incorporado um pátio com jardim, como extensão do foyer. O objetivo é uma integração visual conceitual da cultura da instituição com o teatro. Vedações de vidro conectam, visualmente, o interior com o exterior, e nestes espaços serão aplicados retratos de ícones da cultura e arte espanholas.

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Por suas características bem peculiares, o projeto exigiu cuidados especiais e a consultoria de um especialista em cenotecnia teatral, Gustavo Lanfranchi, que, em parceria com a equipe da acr arquitetura, buscaram soluções para atender as demandas da instituição, dando ao espaço personalidade e novo valor no contexto educacional.

“A renovação do teatro, como local de encontros e eventos internos, é o primeiro passo em direção a uma transformação inovadora e tecnológica, que ampliará a educação de qualidade, como uma experiência estendida a alunos, familiares, visitantes e professores. A escolha dos materiais agregou valor, tanto visual quanto para a funcionalidade do ambiente. E neste contexto, a arquitetura reflete seu papel fundamental, para que o novo espaço contribua para o conhecimento, o bem-estar das pessoas e para o valor cultural da instituição”, comenta Antonio Carlos Rodrigues, sócio-diretor da acr arquitetura.

Espaço Cultural Multiuso – O conceito arquitetônico foi implantado em sintonia com a missão do colégio, na formação de pessoas, agentes de transformação social, em um mundo globalizado e multicultural, e dentro de valores que priorizam sensibilidade aos avanços tecnológicos e às questões ambientais.

O foyer foi redesenhado dando mais conforto para os espectadores, com o uso de madeira clara e piso escuro, criando um espaço aconchegante e contemporâneo, que sugerisse uma nova experiência. Sua localização, próxima aos clusters e à biblioteca, permite que funcione como um pólo cultural multiuso, no centro do colégio, e que, eventualmente, nos dias de espetáculos, adquira a função de foyer do teatro. Além disso, garante a facilidade de acesso aos visitantes, sem perder a integração com o dia a dia dos alunos.

No palco, a retirada de parte do solo permitiu que o local fosse rebaixado, totalmente redesenhado e se ganhasse novas dimensões. A largura e profundidade foram ampliadas resultando numa área de cena de 15,8m de largura por 13,0m de profundidade, o que possibilita a realização de espetáculos de música, dança e peças teatrais.

Esta mudança gerou um pé direito maior, o que viabilizou um novo sistema de iluminação cênica e de suporte de elementos cenográficos, através de uma grelha cenotécnica, que permite a fixação de vestimenta cênica, cenários e refletores, e que está integrada às varas de iluminação cênica com pontos de alimentação e distribuição de sinal digital utilizando conexões XLR, powerCON e Stage Pin. O resultado são refletores aparentes, que se assemelham a um estúdio de TV. O projeto também prevê, para o futuro, o uso do palco no formato arena. Os camarins foram remodelados e modernizados.

A boca de cena passou a ser completamente aberta e criou-se um proscênio com dimensões suficientes para atender às novas demandas. Os degraus, ao longo de toda a boca de cena, e a redução da altura do palco, em relação à primeira fileira de assentos, permitem agora uma aproximação maior dos espectadores com o palco, criando uma atmosfera mais intimista. A curvatura também foi ajustada para melhorar a visibilidade da plateia.

O piso, após amplo trabalho de pesquisa, foi substituído por madeira garapa, que cria um nível de vibração das tábuas ideal para a dança flamenca, pois amplifica o batimento dos pés dos bailarinos. Esta foi uma característica bem particular do projeto, mas também se adapta aos outros usos do espaço.

O forro foi substituído para atender à nova iluminação. Os carpetes nas paredes e pisos foram substituídos por painéis amadeirados com tratamento acústico, em contraste com o piso e outros elementos em tons sóbrios de cinza e preto. A escolha dos materiais conferiu mais expressão, personalidade, acolhimento e funcionalidade ao ambiente.

A tecnologia foi usada para melhoria acústica e luminotécnica, que agregou maior conforto na platéia, gerando uma experiência teatral mais enriquecida, num layout que equipa o teatro para receber qualquer tipo de espetáculo.

Serviço:
acr arquitetura
(11) 5572-9924
http://www.acr.arq.br

 

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